Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

QUEM FOI ALBANO NARCISO PEREIRA ????

albano Posição: Extremo Esquerdo
Data Nascimento:
22/12/22 a 05/03/90
Naturalidade:
Seixal
Altura/Peso:
- cm / - Kg
Nacionalidade: Portuguesa

 

Palmarés

 

 

Campeão nacional da IDivisão (1943/44) Vencedor da Taça de Portugal (1944/45)

Vencedor da Taça de Portugal (1945/46) Campeão nacional da IDivisão (1946/47)

Vencedor da Taça de Portugal (1947/48) Campeão nacional da IDivisão (1948/49)

Campeão nacional da IDivisão (1950/51) Campeão nacional da IDivisão (1951/52)

Campeão nacional da IDivisão (1952/53) Campeão nacional da IDivisão (1953/54)

 

15 internacionalizações pela Selecção A.Estreou-se a 5 de Janeiro de 1947, contra a Suíça, no Jamor, no célebre jogo da chuva (2-2) e despediu-se, também no jamor, contra a Alemanha (0-3), em 19 de Dezembro de 1954 De Albano Narciso Pereira, jogador criativo e imprevisto, disse Fernando Peyroteo, primeiro violino de um grupo que tanta melodia deu ao futebol: «Nada fazia em força, mas em jeito. Tudo era feito de uma maneira leve e suave.» De facto, a criatividade, a velocidade, uma alegria incontível de jogar a bola e, até, facilidade no remate, fizeram de um futebolista pequeno de estatura um jogador histórico. Imenso.

Começou a jogar com a trapeira, bola comum a tantos miúdos dos outros tempos, no Seixal, onde nascera muito perto do Natal de 1922. Jogou no Barreirense, voltou ao Seixal já como sénior, de onde transitou para o Sporting, na altura em que o clube era dirigido pelo dr. Amado de Aguiar. As finanças leoninas não eram famosas, lutava-se por uma sede e por um estádio, por isso houve quem tivesse censurado a compra do passe do jogador por 20 contos. O investimento do presidente do Sporting rendeu bons juros: Albano marcou 252 golos e jogou 443 vezes com a camisola verde-branca.

Tinha oscilações de forma, nem sempre rendia o que dele exigiam, mas, em todas as circunstâncias, soube ter um comportamento louvável, até quando alinhava pela reserva. Em entrevista a A BOLA, no dia da sua festa de homenagem, a 29 de Junho de 1957, quando já lhe chamavam velho, como é costume cá na terra, Albano disse, humildemente, «que continuaria a jogar na reserva ou onde fosse necessário, até o Sporting o mandar embora».

Pelo Sporting jogou pela primeira vez em Setembro de 1943.0 adversário foi o Fósforos. No fim da época recebia o seu primeiro título de campeão nacional, substituindo João Cruz, que era jogador de prestigio à época. Dos futuros violinos só encontrou, então, Peyroteo. Nessa altura a linha dianteira sportinguista era constituída por Mourão, João Cruz, Peyroteo, António Marques e Albano. Mas, além daqueles famosos futebolistas, Albano, quando cruzou as portas do Campo Grande, encontrou ainda Azevedo, Cardoso, Manuel Marques, Nogueira, Canário, Barrosa,Eliseu e Pireza, o jogador que tinha olhos nos pés, como ele dizia.

Na época de 1945/46, com Cândido de Oliveira, ganhou afaça de Portugal, integrando a linha avançada, também constituída por Armando Ferreira, Sidónio, Peyroteo e António Marques. Vê-se que foi protagonista da táctica de Cândido de Oliveira, que quis aproveitar as características de Sidónio, rematador inato, colocando-o ao lado do famoso Peyroteo. É no arranque da época de 1946/47 que aparecem mais dois violinos: Vasques e Travaços, jovens de 20 anos. E Jesus Correia surgiria, logo de seguida, a compor a orquestra. Assim, o quinteto avançado dos leões, que venceram o Nacional de 1946/47, já é composto, nornalmente, pelos violinos Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travaços e Albano.

Campeão seria Albano pela última vez na temporada de 1953/54. Desde 1951 que jogava Carlos Gomes na baliza, na extrema-direita alinhava Hugo Sarmento e João Martins era o avançado-centro. Ainda faltavam três anos para a festa de homenagem, talvez Albano tivesse levado longe de mais a sua carreira de futebolista fulgurante, talvez precisasse de a continuar por razões económicas, talvez o desejo de jogar fosse mais forte que o de sair em plena pujança física e técnica. Talvez...

 

Acabar a vida como corticeiro...

 

De nariz torcido...

 

 

A baixa estatura nunca o inibiu. Mas chegou a perturbar adversários de renome. Como o espanhol Riera, um grandalhão albano_seleccaoameaçador, ou o escocês Young, que ele, um dia, bateu numa jogada invulgar, passando-lhe por baixo das pernas, ou o italiano Ballarin, que não era boa prenda. Ora, em Génova, no Itália-Portugal (4-1), o azougado Albano resolveu atirar uma gracinha irónica ao adversário directo, quando Lourenço marcou o golo português. A vingança de Ballarin foi original: cada vez que a Itália marcava um golo, e foram quatro, chegava-se a Albano e torcia-lhe o nariz.

A nível nacional ficaram famosas as suas esgrimas com Vasco de Oliveira, uma das Torres de Belém. Vasco era temperamental e usava frequentemente o físico, tão impressionante como o de Feliciano ou de Capela. Jogada mais apertada entre ambos, já se sabia, lá ia o Albano parar ao chão. Os sportinguistas não suportavam as cargas do calmeirão sobre o pequenote. Então, o Vasco, com o ar mais inocente da vida, desculpava-se: «Olha lá, pá, que culpa tenho eu de seres pequenino?»

Barco que o salvou da PIDE

Albano alinhou pela Selecção Nacional no celebérrimo jogo da chuva, como ficou conhecido o Portugal-Suíça (2-2) do dia 5 de Janeiro de 1947. Mas não esteve em campo o tempo todo, substituído por Jesus Correia, que passou a jogar a extremo-direito, derivando Rogério para a ponta esquerda. Aliás, Albano entendeu mal uma ordem do seleccionador e só por isso abandonou o terreno-piscina mais cedo. Naquele tempo era preciso simular uma lesão para que a troca de jogadores pudesse parecer natural: Por isso, Albano, de súbito, transformou-se num elemento incapacitado e, por mais tentativas que do lado de fora fizessem a fim de o esclarecer, nada feito. Enfim, saiu do campo, entrou o Jesus Correia e só depois compreendeu que quem devia ter saído era o Rogério.

Como Albano respondeu ao inquérito pidesco...

 

 

Quando, em entrevista ao nosso jornal, recordou o episódio a Carlos Pinhão, saiu-se com uma boa piada: «Choveu tanto naquele Portugal-Suíça que eu encolhi mais dois centímetros.»

Rogério de Carvalho, o famoso Pipi, durante uma boa temporada foi senhor do lugar de extremo-esquerdo na Selecção. Albano foi, por causa dessa opção dos técnicos, muitas vezes suplente do benfiquista. Mas houve um dia em que ele até gostou de não ter jogado. Foi contra a Inglaterra, naquele famoso dez-a-fio que deixou ofendida muita gente, especialmente os falsos patriotas. A DGD castigou, praticamente, toda a equipa e o Sporting, com oito seleccionados, foi severamente punido a pontos de, num próximo Benfica-Sporting, não ter podido jogar com Azevedo, Cardoso, Barrosa, Jesus Correia, Vasques, Peyroteo e Travaços. Os jogadores foram acusados de se terem alheado do jogo devido a não lhes ter sido dado o dinheiro que tinham reivindicado. Claro que os futebolistas negaram, veementemente, a acusação. Resolveram, então, pegar-lhes por não terem comparecido ao banquete. Houve quem tivesse ironizado, atirando achas para a fogueira: «Ao banquete? Para quê? Nós não falamos inglês e a Federação nem em português quer falar connosco.»A verdade é que a brincadeira ficou cara, especialmente, a Cardoso, castigado com um ano de suspensão. Ao inquérito pidesco Albano Narciso Pereira respondeu que, na sua qualidade de suplente, tinha saído mais cedo do campo direitinho a casa. Não faltou à verdade. pois por norma Albano não comparecia aos banquetes porque tinha de apanhar o barco para o Seixal. E como tinha sido, apenas suplente, pensaram que não o tinham convocado para o jantar de confraternização com os autores dos 10-0.

 

  In "100 figuras do futebol português - Abola - 1996"


publicado por seixalfc às 23:05
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